Olhando Pardais

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Medicinas


Esquecimento
única solução
que no momento
faz o meu peito são.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

. . . BOCA-SUJA













A roupa escura sorri na manhã envelhecida
cinzento
o céu, a rua
a faca na boca crua de ti
de amargos e sombras
do lânguido desejo assombrado.

O jeans quase certo me corrompe de ansiedades
até a noite de sonhos de ti
álcool e tabaco sofregam-me a pele
enquanto sonho amá-la em fogo.
Com o nó da certeza no pescoço
e a fé em tudo a me conduzir
até os interstícios da sua boceta.

sábado, 15 de agosto de 2009

Angústias do Tempo






Audacioso esconde a pedra
Na areia densa do chão cinzento
O forte algoz da vida,
o tempo.


Há um que corre.
Há um só tempo (?)
Desse mesmo tempo:
singelo vento.

O outro:
[que nunca passa]

escorre em nuvens
molhando a terra
Engano fausto,
...........pretensão,
....................... portento
O vento passa,
A lama seca,
Areia muda.

Depois do sono-existência
[Grande ou pequeno]

O tudo, o nada
É tudo o tempo.
Pedro da Mota Pereira



domingo, 2 de agosto de 2009

...

CABRALINAS



Minha alma é triste (...)



não digo; ora não sei!



pois eu que não sou alma

sonho rios



pedras

mares

ricas cachoeiras esbravejantes



tempestades no campo

[...tumular...]

E o canto dos líricos pássaros

que é música mais bela

[que

Mozart

Bramns

Tchaikóvsky

Ou

Bach!


Mas vivo perdas e pedras

Somente

a dura cidade ensinar

que o verdadeiro ensinar não se ensina:

aprende quem sabe a sina, a hora e o lugar.


Carne crua em cativeiro

Finjo lobo

Finjo amar

a pedra que carrego comigo também me sabe.

E eu que penso saber

apenas sinto

o duro cimento:


saudade d’outro lugar

que existe só em minh’alma



que não me ilude; e faz-me cantar.


Pedro da Mota Pereira.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Um poema com nome; mas sem endereço...


Discurso sobre a aparição da Santa em Portugal
ou da louca amiga em minha vida


Para Fátima
vi a perfeição num louco desfile
-tão perfeita-
que pasmava
o pequeno narrador.

desfile de deuses perfeitos
desfile de graça e langor...

não havia amor nesse desfile

um sentimento opressor
beleza oprimia.
Era beleza pro belos
pro resto era dor.

pois hoje vejo a beleza com outros olhos
[ com amor
sinto a moça bela:
aquela que põe o verbo na bolsa
esconde um pouco do medo
atrás dos cabelos - seu toucado lindo e perfumado.

Esconde umas coisinhas e outras revela
assim, cria, estabelece, se desvela
[no espelho:
assim se faz a mulher bela.
que encontrei num desfile
dando lições à pobre e [des]coitada Cinderela.


Pedro da Mota Pereira, Santo André, 08-05-09.

domingo, 5 de julho de 2009

NUBLADO



Nuvens caminhantes
Faz-me triste e alegre
- sorrir ou chorar –
reflete o céu
ou
o esconde do mar?

Encobre-nos a lua
Adoça mais meu penar
que é apenas olhar e sentir
- e mais tristemente pensar.

Se bailas ao vento silente
[solitário e ébrio – mas sabe cantar!]

Nuvem, entrega a ele
Tua vida tão frágil e anular
E eu que não canto nem bailo
Apenas te olho,
vejo
e ouço
- a dança e o cantar –
Invejo e sonho:

Com a lua morar
Com a ti, nuvem, trair
Com o vento fugaz voar

E no sonho que me sonha alguém
à leitura desses sons e leivos
Fica entre o real e as nuvens
[algodoadas]
Como meu frugal travesseiro.

Pedro da Mota Pereira.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

...


Agora o 'Olhando Pardais' tem música....

Agora tem Hendrix, Fito Paez, Ney Matogrosso, Cartola, Herman Van Veen, Ozzi... e tal.


Que loucura eclética!

Graças ao Raul...
- Valeu meu querido! -

Quando puder, retribuirei...


Vejam...
Melhor:
ouçam!



DEEZER...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

AMIZADES...

Relendo algumas das minhas últimas postagens, percebi que vira-e-mexe eu cito algum amigo como referência para algo. Todos eles, inclusive os que comentaram algo, são oriundos de um passado já um tanto distante: principalmente da juventude e do tempo de universidade.
Será muita nostalgia?
Será que sou muito ranheta hoje e por isso tenho poucos amigos?
Será apenas o fato de que a vida adulta, família, requer muito tempo e quase não nos permite conhecer novas pessoas?
Ou o mais triste:
Vivemos, ganhamos experiência e, por isso, cada vez mais desconfiamos do ser humano.
Seja como for fiquei feliz de ter reencontrado recentemente um amigo que não via Há Tempos, o Hélinho...
Essa canção é para ele:

terça-feira, 16 de junho de 2009

A Língua das Palavras: Acumulação de imagens

Do Livro 'Caderno de Fogo', do Poeta Carlos Nejar.
Copiei estas linhas no intuíto que possam contribuir para o debate do último post.
Leiamos:
"A poesia sai da poesia (Emerson). Um livro sai de outros livros. E se reproduz a criação, sem reflexos. Só imagens, indefinidamente. Pondo a cabeça para fora da água: focas...
Até gerarem, pela acumulação, a enciclopédia sucessiva do tempo.
Não se responde a nada, salvo ao que nos fala dentro. Pegamos essas chamas-couve-flores. Devagar. Elas não nos queimam, porque tem abas noutra extremidade do mistério.
E eu vou explicando, por palavras, o que as chamas espalham.
Pode ser uma simples flauta, o toque mágico da metáfora. Pode ser uma letra deitada sob a pedra. Pode ser uma pedra."

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Fim existe?

A Érica,
do Blog CONFINS (o link para ele está na minha página), escreveu corajosamente sobre O FIM.
Escrever sobre começos é fácil. Inclusive aquelas pessoas que nada fazem estão sempre falando de começar isso ou aquilo.
Como diria minha mãe:
"quem muito fala nada faz".
Também dizia:
"pau que nasce torto mija fora da bacia".
Mães sempre dizem coisas que as vezes vivemos para lhes dar significado.
Mas esse foi um pensamento arbóreo.
Inclinado.
Voltemos.

AS COISAS ACABAM DEFINITIVAMENTE?

Para o indivíduo, sim. Seria loucura (das ruins) dizer ao contrário. MAS O INDIVÍDUO É UM FIM EM SI MESMO?
Não é ele um ser moldado de partes ínfimas de outros seres, do passado e do presente, do seu habitat etc.
Ao menos o é assim para a história, a etno-história.

Mas falamos disso ou de espiritualidade. Mas a espiritualidade não é um olhar para dentro de si e, portanto, para todos aqueles que existiram antes de nós?

Sei lá.
Responda você:

.........................................................................................................................................................................
.........................................................................................................................................................................

Escrevi um poema sobre isso e uma coisa besta. lá no blog da Érica.
Primeiro vou postar a coisa besta. Depois o poema.

COISA BESTA:

A melhor história jamais deverá ser contada, assim como o melhor escritor jamais deverá escrevê-la...

Foi o que há uns tempos eu pensei, apoiado por alguma loucura extra.
Se a melhor história é aquela que guarda sutileza - não a toa. Porque até "Guerra e Paz ", (obra de mais de 1.500 páginas, de León Tolstói) é sutil.

Sutil dentro da sua mais apta verdade.

Mas não a toa, porque ou a busca é pra valer ou é melhor nem tentar nada com arte - que é maior expressão humana.
E o hipotético melhor escritor, por característica de sua humanidade tão intensa, desaba rumo a auto-anulação.

Daí escrever torna-se algo que não deve ser feito, seria um retrocesso.

Esse é um pensamento a ser reescrito.

Corre porém o risco de já o ter lido num dos escritores ídich. Tipo Peretz.


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O POEMA

de uma história que não acaba...


AMANTES DE NOVOS TEMPOS
Dormentes sob escombros
Repousam canções
Ainda por fazer.

Em estado ideal
Tangem-se ao mundo
– destino fatal!

O vento as semeia
– por dias a fio...
embriagam novos amantes
que as saboreiam

como a linha que costura
aparece e se esconde
na vida tecida
– o hoje é incógnita.
Há o ontem que já foi
E o amanhã - que não virá –.


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